Brevemente...
quarta-feira, 19 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Cova VI
Pois é, mais um fim-de-semana com novidades.
Mesmo sobre a Lapa da Cova surge mais uma pequena caverna. Esta encontra-se para já obstruída por sedimentos e, sobre estes, pôde-se logo detectar um objecto esculpido em madeira. Arte pastoril?
sábado, 1 de maio de 2010
Arrábida Antiga
CRISTÓVÃO FALCÃO
(1518-1557)
CRISFAL
Entre Sintra, a mui prezada,
e serra do Ribatejo
que Arrábida é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete na água salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amaram
como males lhe causaram
este bem, que nunca fora,
pois foi o que não cuidaram.
A ela chamavam Maria
E ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ela tão mal merecia.
Sendo de pouca idade,
Não se ver tanto sentiam
que, o dia que não se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.
Algumas horas falavam,
Andando o gado pascendo;
e então se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E, com quanto era Maria
pequena, tinha cuidado
de guardar melhor o gado
o que Crisfal dizia;
mas, em fim, foi mal guardado.
Que, depois de assim viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem para mor ter
em fim se houver de saber
por Joana, outra pastora
que a Crisfal queria bem.
Mas o bem que de tal vem,
não ser bem maior bem fora,
por não ser mal a ninguém.
A qual, logo aquele dia
Que soube de seus amores,
Aos parentes de Maria
fez certos e sabedores
de tudo quanto sabia.
Crisfal não era então
dos bens do mundo abastado
tanto como do cuidado;
que, por curar da paixão,
não curava do seu gado.
E, como em a baixeza
do sangue e pensamento
é certa esta certeza:
- cuidar que o merecimento
está só em ter riqueza - ,
enqueriram que teria
e do amor não curaram;
em que bem se descontaram
riquezas que faleciam,
por males que sobejaram.
Então, descontentes disto,
levaram-na a longes terras,
esconderam-na entre serras,
onde o sol não era visto,
e a Crisfal deixaram guerras.
Além da dor principal,
para mor pena lhe dar,
puseram-no em lugar
mau para dizer seu mal,
mas bom para o chorar.
Ali os dias passava
em mágoas, da alma saídas,
dizer a quem longe estava;
e chorava por perdidas
as horas que não chorava,
em vales mui solitário,
sombrio e saudoso,
sendo monte temeroso,
para o choro necessário,
para a vida mui danoso,
Dizer o que ele sentia,
em que queira não me atrevo,
nem o chorar que fazia;
mas as palavras que escrevo
são as que ele dizia.
(1518-1557)
CRISFAL
Entre Sintra, a mui prezada,
e serra do Ribatejo
que Arrábida é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete na água salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amaram
como males lhe causaram
este bem, que nunca fora,
pois foi o que não cuidaram.
A ela chamavam Maria
E ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ela tão mal merecia.
Sendo de pouca idade,
Não se ver tanto sentiam
que, o dia que não se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.
Algumas horas falavam,
Andando o gado pascendo;
e então se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E, com quanto era Maria
pequena, tinha cuidado
de guardar melhor o gado
o que Crisfal dizia;
mas, em fim, foi mal guardado.
Que, depois de assim viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem para mor ter
em fim se houver de saber
por Joana, outra pastora
que a Crisfal queria bem.
Mas o bem que de tal vem,
não ser bem maior bem fora,
por não ser mal a ninguém.
A qual, logo aquele dia
Que soube de seus amores,
Aos parentes de Maria
fez certos e sabedores
de tudo quanto sabia.
Crisfal não era então
dos bens do mundo abastado
tanto como do cuidado;
que, por curar da paixão,
não curava do seu gado.
E, como em a baixeza
do sangue e pensamento
é certa esta certeza:
- cuidar que o merecimento
está só em ter riqueza - ,
enqueriram que teria
e do amor não curaram;
em que bem se descontaram
riquezas que faleciam,
por males que sobejaram.
Então, descontentes disto,
levaram-na a longes terras,
esconderam-na entre serras,
onde o sol não era visto,
e a Crisfal deixaram guerras.
Além da dor principal,
para mor pena lhe dar,
puseram-no em lugar
mau para dizer seu mal,
mas bom para o chorar.
Ali os dias passava
em mágoas, da alma saídas,
dizer a quem longe estava;
e chorava por perdidas
as horas que não chorava,
em vales mui solitário,
sombrio e saudoso,
sendo monte temeroso,
para o choro necessário,
para a vida mui danoso,
Dizer o que ele sentia,
em que queira não me atrevo,
nem o chorar que fazia;
mas as palavras que escrevo
são as que ele dizia.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
fds na lc
Starting early in Lapa da Cova...
Excavating the fault
Excavating a fireplace in the Upper Deck
Excavating the "stretched goat skin", in the Inner Room
The garden of Lapa da Cova
Team work on the cave topography
The aunt concentrated on the work
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